se não os querem criar, não os façam

Nos últimos tempos tenho deparado com situações sociais que me fazem questionar o tipo de sociedade que estamos a criar.

Quando os pais me dizem “Eu posso estar desempregado mas eu tenho direito porque eu pago para que me criem o filho”, ou, até com um certo orgulho, “Eu tenho direito porque o meu filho está sobe a vigilância da protecção de menores”, eu questiono-me se não está a sociedade a fomentar a perda do papel dos pais na vida dos filhos? Quando o papel dos pais resume-se a “parí-los” pois criá-los fica à responsabilidade da sociedade, eu tenho vontade de perguntar a todos os pais e encarregados de educação se não querem preencher os papeis para que os Professores; Educadores, Animadores, Assistentes Sociais,… adoptem essas crianças.

Estudos recentes, indicam que, em média, os pais passam 20 minutos diários com os seus filhos. 20 MINUTOS… Será só a mim que me choca este valor? Numa matemática simples, façamos as contas:20 minutos por dia, 7 dias por semana… 20 X 7 = 140 = a 2 horas e 20 minutos semanais. Eu que sou só a professora deles, passo no mínimo 25 horas semanais, mais 22 horas e 40 minutos que a média dos pais.

Por isso eu continuo a defender a minha ideia, uma que causa desagrado a muito encarregado de educação, de que os Pais lutam pelas causas erradas.

Os Pais lutam para que as escolas permaneçam mais tempo abertas e que os professores os substituam em muitas das tarefas que anteriormente lhes cabiam (já pouco falta para tornarem os professores responsáveis por deitar as crianças). Lutam para que as escolas forneçam actividades que ocupem a parte do dia a dia da criança em que esta está desperta, como se ao envolverem-se no planeamento dessas actividades, ficassem automaticamente compensadas as horas em divida à convivência com os seus filhos. No meu entender, os Pais deviam lutar pela criação de leis sociais que lhes permitam usufruir de mais tempo com os seus filhos: a redução no horário semanal de trabalho enquanto a criança se encontrar na escolaridade obrigatória, a possibilidade de sair do local de trabalho quando chamados de urgência à escola, por motivo de um infeliz acidente ou até mesmo para dar um puxão de orelhas ao filho por ter partido o vidro da cantina, Leis que lhes dêem a possibilidade de cumprir o seu papel de pais.

E no meio disto tudo, salta-me na mente uma frase que é do senso comum: “Se não os querem criar, não os façam”. Não há nenhuma lei que obrigue uma pessoa a fazer filhos, por isso, se é Pai, assuma as suas responsabilidades e não descarte para a sociedade aquilo que lhe compete.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s