Terroristas Sociais

Setembro 21, 2007

Sex in the City

Arquivado em: Cum Caneco, Febre de Sexta-feira, feitios, social, sociedade — evasofia @ 8:00 am

Esta semana, devido a algumas “conversas de mulheres”, senti a necessidade de escrever um artigo com extremas semelhanças aos de Carrie Bradshaw na série televisiva Sex in the City. Neste momento só me falta o copo de vinho tinto e o maço de Marlboro Lights.

Falava há alguns dias com uma amiga sobre as várias banalidades do dia-a-dia, quando, como é de calcular, a conversa virou para a velha questão: “E então? E Homens? Como é que vai isso?”.

A resposta, ou a falta dela, fez-me tomar consciência que já há muito tempo que as relações entre os sexos estão numa fase muito diferente. Na actualidade, ninguém sabe dizer que tipo de relação é que tem.
Tem-se um alguém com quem se pratica as cambalhotas, mas ninguém sabe dizer se é uma amizade colorida, se é um namoro, …, sabe-se só que é uma outra coisa qualquer.

Eu lembro-me que no passado, no início das minhas relações, o homem tentava seduzir-me. Ele levava-me a jantar fora, quando saíamos juntos ia buscar-me a casa, telefonava-me no dia seguinte… com o desenvolvimento da relação, conhecia-se os amigos, passava-se o serão a ver um filme com um balde pipocas, faziam-se escapadelas de fim-de-semana, …

O que é que se passa na actualidade? Telefona-se quando se tem tempo para dar uma cambalhota, e volta-se a ligar quando se tem novamente tempo para mais uma “suadela a quatro joelhos”.

Chegamos a um ponto onde o papel clássico do homem é interpretado pela mulher. É ela que telefona. É ela que o convida para sair. Passou a ser normal ser ela a ir buscá-lo a casa, a pagar as contas, a levá-lo a um local especial… É raro, na actualidade, um homem tomar uma destas iniciativas, usando muitas vezes como argumento a igualdade de oportunidades entre os sexos para deixar essas funções à responsabilidade da parceira.

Mas porque será que isso acontece? Será que o esforço que nós, mulheres, fizemos pela conquista da nossa independência e pela igualdade de oportunidades está a sabotar a sedução das relações? Porque é que nos contentamos com tão pouco? Será que é esse pouco exactamente o que queremos? Será que a facilidade com que se consegue trocar de parceiro faz com que não se de valor àquele que se tem? Ou será que o desleixar masculino fez com que as mulheres passassem a considerar uma relação séria a dois, como não valendo a pena?

Coloco a possibilidade de actualmente não sabermos os limites. Ninguém quer ver: o seu interesse em alguém confundido por carência, a sua disponibilidade por falta do que fazer, o seu gosto em oferecer por pagamento pelo sexo. Onde é que está essa tabela que limita cada uma das atitudes e nos protege de fazermos figurinhas tristes?

 

Eu vou ser honesta, não sei dizer se o facto de não ter namorado resultado de estar no bom caminho para me transformar numa “cabra”, desta nova postura, de já não saber estar numa relação ou de ter um radar avariado e fora da garantia. Há que esperar pelos próximos capítulos.

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