Todos temos amigos que não vemos regularmente… porque estão distantes, porque nos fomos afastando, porque … simplesmente porque as coisas da vida levaram a que assim fosse. E para compensar esse afastamento foram sendo desenvolvidas novas tecnologias que nos dão a sensação de proximidade. Inventou-se há mais de 100 anos o telefone, mas só com o aparecimento dos telemóveis é que verdadeiramente esta tecnologia explodiu (até então, era impraticável andar com um telégrafo portátil). As pessoas começaram a dar ao dedo e surgiu o síndroma dos polegares gigantes. Ou se preferirem, os mata-pulgas. Depois de mandarmos mais de 100 000 mensagens sms começamos a verificar que a coscuvilhice e não nos fazia evoluir. Afinal andávamos todos a falar do mesmo, com uma linguagem cada vez mais incompreensível e com uma gramática muito pouco coerente (no mínimo). Até que achamos que o melhor seria parar de enviar sempre a mesma mensagem para todos os nossos amigos. E se houvesse uma forma de cada um actualizar o que anda a fazer e todos os nossos amigos automaticamente recebessem uma mensagem? Poupava-se nos polegares e não se ficava tão embrutecido do espírito.
Ora foi isso que se propôs fazer o twitter.com. É o último grande “boom” da Internet. Aquilo que todos falam e todos fazem. É como a orgia colectiva, o partilhar do estado de ignorância comum, onde todos sabem de tudo e de todos. Mesmo que os amigos sejam apenas uma referência causal, ou um link numa página de Internet. A partir de agora não estamos mais desligados, isolados e condenados ao esquecimento num canto, agora basta enviar um sms ou uma mensagem pelo serviço de Instant Messaging (GTalk, ICQ, etc… ) e contactamos cada um dos nossos amigos, pode ser até forma de saber onde eles andam…
Mas isto não chega, pois não? Para alguns, que não estão tão interessados em saber que o amigo “a” consegui passar à cadeia “X”… o twitter abriu as portas para fazer algumas experiências interessantes. Nomeadamente o twitter.com permite levar as notícias ao leitor. Directamente no telemóvel ou no IM. E ainda por cima tem a vantagem de não se levar com aquela irritante publicidade que os jornais adoram colocar nas suas página web. E as notícias vem em formato SMS (140 caracteres, nada mais). Um título e um link para o original. Recebendo a mensagem no telemóvel, apenas lê-mos o resto se nos interessar. Leva-se as notícias às pessoas sem ser intrusivo. Sem achar que as pessoas querem comer com publicidade… e permitindo às pessoas a liberdade de se não gostarem de nós dizerem apenas “LEAVE XXXX” e não mais serem incomodadas pela nossa verborreia.
E assim começa mais uma bolha, campista.