Terroristas Sociais

Fevereiro 12, 2007

O dia depois

Arquivado em: Oh não, é Segunda, aborto, ivg, portugal, referendo — David Rodrigues @ 8:00 am

Quando estava a pensar no que seria a crónica de segunda feira, pensei em não falar do tema quente do fim de semana. Mas depois achei que seria impossível não falar do assunto, porque já pelas 11 da noite de ontem, ao ver os vídeos do site da RTP, não pude deixar de reparar numa coisa que me preocupou.

Pior que em qualquer eleição legislativa, os partidários da parte derrotada, apesar da mesma, continuaram a afirmar uma postura de intransigência e afastamento da realidade. Como se o resultado não fosse importante, porque era contrário às suas opiniões e crenças. Fizeram-me lembrar algumas ditaduras onde se faziam eleições e caso os resultados não fossem do agrado do ditador, atiravam-se as urnas ao rio.

Mas ontem marcou também o início de uma nova era para Portugal. Uma era em que as pessoas, associadas em grupos de apoio, conseguem levar avante alguma ideia que tem para o progresso do país.

Até ao momento ambos os referendos feitos não provocaram mudança. Em ambos tudo ficou na mesma. (É mais fácil manter que mudar). Ontem pela primeira vez a maioria dos portugueses decidiram mudar, pelas suas próprias mãos e meios. Nos primeiros dois referendos, as vitórias do não, disseram aos políticos “não façam nada”. Desta vez a coisa muda de perspectiva. Agora a maioria da população disse “Façam isto”. O poder que está associado a uma ordem deste tipo é muito superior que apenas diz apaticamente para se manterem imutáveis. Resta agora saber se os nossos políticos vão ter a capacidade para lidar com este poder que a população portuguesa adquiriu pelo voto e se vão ser capazes de perceber que tem que apresentar resultados. E agora vão passar a ter muito mais cuidado com os referendos que fazem.

O povo português percebeu que afinal o referendo pode servir para modificar o mundo e que o investimento pessoal em determinados projectos colectivos pode dar, e no fim acaba por dar, resultado. Para bem da figura do referendo, da modernidade e do país, tudo correu bem.

Assim começa uma nova Era, campista!

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