Terroristas Sociais

Janeiro 29, 2007

Dance, Love and Accidents

Arquivado em: Oh não, é Segunda — David Rodrigues @ 8:00 am

Frio, muito frio!

O gelo que se abate pelo país não é mais do que da responsabilidade nossa. Sim, o Al Gore já falou tudo o que tinha para falar no seu filme sobre o estado do planeta, mas a verdade é que o filme acabou por valer por si e ninguém fez nada para modificar o estado das coisas.

Com o frio e o gelo que assola o país perguntaram-me um destes dias se efectivamente este estado das coisas é algo com que nos preocupemos ou se podemos ainda assim fugir às responsabilidades. Se olhássemos para o planeta terra como se fôssemos extra-terrestres o que veríamos?

Na minha opinião, modesta quanto baste, veríamos muitas espécies a tentar sobreviver a um predador-parasita que está a destruir tudo e todos, incluindo a própria espécie. O Homem é a maior praga do planeta e irá acabar por conduzir a sua espécie à extinção. Nessa extinção provavelmente as únicas formas de vida que sobreviverão serão organismos unicelulares, que estarão escondidos nas profundezas dos oceanos ou nas entranhas de grutas em condições drásticas, mas que mesmo assim conseguirão sobreviver ao lixo de silício que andamos a produzir.

E então daqui a uns milhões de anos talvez volte a haver vida complexa na terra, muito provavelmente diferente da actual, mas provavelmente igualmente auto-destruidora. A vida complexa sofre de um efeito auto-destruidor. É uma questão de entropia. Tudo tende para um estado caótico e a vida não passa de um sistema organizado instável, que gasta energia e recursos. Assim, para a eternidade ou conseguimos desligar-nos das leis da termodinâmica ou pura e simplesmente desapareceremos. É como tentar lutar contra a gravidade.

Assim em vez de nos lamentarmos do frio que se abate, o melhor é aceitá-lo, vestir mais uma camisola, calçar luvas ( e ainda me vão explicar porque se calçam as luvas ) e andar que nem chouriços nos autocarros apinhados das nossas vidas.

E assim começa mais uma semana, campista!

Janeiro 26, 2007

Burro velho não muda???

Arquivado em: Febre de Sexta-feira, feitios, signos, touro — evasofia @ 8:00 am

Faz parte dos dizeres populares “Burro velho não toma andadura, e se a toma pouco dura”. E como é do conhecimento geral este Burro é o Ser Humano.

Tendo este dizer em mente e uma característica do signo touro: nunca dar o braço a torcer; inspirei-me para as divagações desta Sexta-feira.

Sendo eu uma verdadeira “Toura”, tenho esta bela característica de não dar o braço a torcer, mas uma vez que tenho consciência deste atributo, tento vencê-lo pela força. No entanto não me parece que esteja a mudar qualquer característica no meu feitio. O que acontece é que ao reconhecer os sintomas, tento não ser levada por eles, mas isso não é uma mudança na personalidade, é simplesmente um “curativo” que tapa o que está por baixo.

Uma situação exemplificativa:

Discutindo qual a cor de um fruto tropical.

Outro: Este fruto é azul!
Touro: Não é nada, é lilás!
Outro: Olha bem, é azul!
Touro: Tens razão, é azul (burro, deves ser daltónico).

E é assim que funciona o Touro, se não ganha a luta, faz de conta que o outro tem razão, mas no seu imo, o Touro é que sabe.

Janeiro 22, 2007

Hoje não há nada de novo aqui

Arquivado em: Oh não, é Segunda — David Rodrigues @ 8:00 am

Com o país parado, sem uma única notícia de relevância, com os profissionais do país em casa, à espera de quem possa fazer alguma coisa, com a economia dependendo de take overs, opas e afins, que há afinal para discutir?

Parece-me que talvez óbvio seja falar do (paris)lisboa-dakar, mas desta vez nem o nosso Carlos Sousa parece conseguir dar alguma alegria a este país tão triste.
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Janeiro 19, 2007

Regresso à Infância

Arquivado em: Educação, Febre de Sexta-feira, politiquices, portugal — evasofia @ 8:00 am

Quando me sentei no computador para escrever a minha divagação desta semana, estava decidida a deixar de lado o assunto que mais horas de sono me tira (com quem é que eu vou ter de dormir para conseguir um lugar numa escola?), principalmente, porque pelo andar da carruagem, os meus amigos começaram a recear que eu me tornasse autora de um atentado bomba ao meu querido Ministério.

Tinha escrito uma divagação engraçada sobre um assunto leve, mas as forças do Universo mudaram-me os planos ao provocarem novos acontecimento no meu mundo do trabalho. Acontecimentos que me causaram a necessidade de regressar à infância.

Não é um simples clichê, mas é verdade, eu tive uma infância feliz. Lembro-me que passei horas na rua, em brincadeiras com os meus irmãos, amigos e vizinhos. Quando fiz a Primária (sim, eu ainda sou do tempo em que se chamava ao 1º Ciclo, Primária), tive uma professora que usava as reguadas como método de ensino, fiquei tão traumatizada, que hoje estou no ramo.
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Janeiro 15, 2007

Explicações para este país, precisam-se!

Arquivado em: Oh não, é Segunda — David Rodrigues @ 8:00 am

Num destes dias, no café em frente a minha casa, quando me preparava para pagar, vi uns papeis que estavam a ser distribuídos na caixa. Não sou de olhar para esses papeluchos que se distribuem a quem quiser pegar, mas por algum motivo este chamou-me a atenção. Dizia o seguinte:

EXPLICAÇÕES

MATEMÁTICA, FÍSICA, QUÍMICA

Ensino Preparatório, Secundário e Unviversitário

Recém doutorado em Biotecnologia e Eng. Bioquímica pelo I.S.T. (Instituto Superior Técnico)

Contactos: XXXXX e email@qqrcoisa.com

Fiquei pasmado. Então é assim que um recém doutorado ganha a vida! Fala-se neste país em choque tecnológico, em fomentar o trabalho científico, em tecnologias de ponta, mas a verdade é que nunca ouvi dos nossos dirigentes uma explicação capaz sobre o que verdadeiramente um doutorado faz em Portugal. Na minha ingenuidade pensava que faria investigação, que ajudasse na descoberta de curas para doenças, que implementasse ideias novas na indústria, permitindo-lhe ganhar proveitos extra, no fundo sempre pensei que ajudasse a melhorar a nossa sociedade.

Agora já não me espanto quando ouço que há tantos portugueses a soldo de universidades “estrangeiras”, a fazer furor na comunidade científica “estrangeira” e dizer que voltar a Portugal só quando for de caixão e para meter debaixo da terra bem fundo.

No fim de um café matinal, quando me preparava para um dia que prometia ser produtivo, eis que um papelucho, um simples e reles papel deixado na caixa de um café, conseguiu destruir a esperança que estes acordos com o MIT ou com outro qualquer possam ter algum impacto significativo no desenvolvimento do país. Pelos vistos, e chamem-me crédulo se quiserem, estudar 12 anos, seguidos de 5 de licenciatura e outros 4 de doutoramento (partindo do pressuposto que se saltou o mestrado), ou seja 21 anos de estudo, serve em Portugal para se dar EXPLICAÇÕES. Alguma coisa está errada nisto tudo, mas se calhar só eu é que penso assim… se calhar é mesmo para isso que um doutorado serve.

E assim começa mais uma semana, doutor.

Janeiro 12, 2007

O limite

Arquivado em: Educação, Febre de Sexta-feira, politiquices, portugal — evasofia @ 8:00 am

Quando é que se sabe que se atingiu o limite da paciência? Em que momento cai a gota com a qual esborda o copo? Que mau vento é esse que transforma um céu limpo em nuvens negras, preparadas para trovejar?…

Quais são os indícios que nos fazem acreditar que este Estado não merece ter as massas cinzentas a trabalhar para ele? Que a nossa carreira desenvolveria muito mais se estivéssemos no estrangeiro? Que esta quinta rural plantada na esquina da Europa, não passa da zona balnear dos ingleses?

Qual será o momento em que escolhemos finalmente dar uma utilidade ao diploma e usá-lo para acender a lareira numa noite de Inverno? (para limpar o cu não dá, o papel é duro, para essa função existe a secção da política nacional dos jornais, pelo menos estamos a ca*** para eles).

Negativa??? Eu??? Não! Só gasto toda a minha energia positiva com as ofertas de escola para as quais não envio presunto.

Janeiro 8, 2007

Coisas completamente inúteis

Arquivado em: Oh não, é Segunda — David Rodrigues @ 8:00 am

Na semana em que orgulhosamente o país organiza o Paris Lisboa – Dakar há uma pergunta obrigatória:

  • Porque raio é que os gajos fugiram do país a abrir?
  • O Socrates já verificou os cofres?
  • Temos cofres? Cheios?
  • O Ministro das finanças sabe que o Paris Lisboa – Dakar fez como todas as empresas estrangeiras cá da praça e depois das festas e apertos de mão, fugiu do país com promessas de voltar para o ano?
  • Bem… Isto são 4 perguntas afinal… mas a verdade é que adiante que ainda não acabamos por aqui.

Para além dos vrumm vruns que passearam pela nossa paisagem (nossa?) alentejana, tivemos ainda a confirmação que os disparates no governo continuam. Um país que se preze tem que ter uma programação cultural permanente e para espanto de todos, o nosso belo governo decidiu que durante a presidência da união europeia (que vai decorrer durante o 2º semestre, para quem não sabe) Portugal não iria ter um programa cultural para acompanhar a presidência. As razões apontadas para isto são:

  • O Toni Carreira está de tourné no Canada e só estaria disponível lá para 2009.
  • O Herman está demodé e depois de andar a lamber o chão do circo Cardinalli foi contratado para se apresentar no grande circo do Mónaco a pedido da Stef… Nunca mais se soube do Herman desde esse dia.
  • O Marco Paulo já não tem caracóis.
  • A Madredeus, depois de andar a encher o mundo inteiro com a sua música, voltou a Portugal e quando convidados disseram que voltaram para descansar e que iam tirar um ano de férias (porque será?).
  • Assim, e depois de mais umas quantas diligências sobraram o minorca mendes aos pulos por detrás do balcão aos saltos e a gritar “canto eu, canto eu” e o mastodonte monteiro que dizia que fundaria um partido só para não ter que aparecer nas comemorações do 5 de Outubro.
  • O ministro das finanças que não sabia do Paris Lisboa – Dakar, disse que não havia tusto nos tais cofres que permitisse pagar sequer um parafuso ao Carlos Sousa. Por isso, o programa cultural para a presidência portuguesa da união europeia ficou adiado até que a gasolina e o tabaco voltassem a subir. (Já em 2008, senão antes… )

E assim começa o Paris… mais uma semana, campista.

Janeiro 5, 2007

A apanha da bolota

Arquivado em: Educação, Febre de Sexta-feira, politiquices, portugal — evasofia @ 8:00 am

Ano novo, vida nova. E a minha nova vida tem como futuro a apanha da bolota. Já que a minha carreira como Educadora estagnou depois de 6 anos de trabalho, vejo-me obrigada a dedicar-me a apanha… a apanha de um lugarzinho, nem que seja por meia dúzia de dias.

Finalmente entro na rotina. Diariamente ligo-me as páginas das Direcções Regionais de Educação e percorro as listas de oferta de escola de todo o país. A primeira oferta que encontro, Penacova, 1 mês, a 229 km de casa. A segunda e terceira, Serpa e Castro Verde, ambos por 1 mês. Se Penacova era longe… então estas nem direito têm a uma pesquisa no ViaMichelin. Ermesinde, a quarta oferta de hoje. Não está mal, são só 81 km para um lado e outros tantos no regresso (ainda bem que (não) temos direito a ajudas de deslocação e alojamento) e dura até 31 de Agosto.

Vou lançar a rede e tentar apanhar esta bolota voadora. Se não conseguir posso dedicar-me a criação de porcos e oferecer alguns presuntos a pessoas pelas quais tenho verdadeira estima.

Como não convém limitar as minhas opções vou temperar, nesta noite de sexta, as carnes com um vinhinho alentejano e com algo mais que dé um bom sabor ao presunto.

Janeiro 1, 2007

Resoluções de 2007

Arquivado em: Oh não, é Segunda — David Rodrigues @ 8:00 am

Agora que 2006 passou é altura de tomar uma série de resoluções para o ano que vem. Limpeza da casa, como assim se costuma dizer.

Neste período de férias, dei por mim a olhar para o céu. As noites são frias e o vento que sopra faz com que pareçam ainda mais geladas. Viana costuma ter 1 ou 2 graus positivos e diga-se que ir fumar um cigarro à varanda não é fácil. Mas dei por mim a olhar para o céu limpo e ver orionte em Sul de forma bastante limpa. Olhar para o céu provoca-me uma sensação estranha. Não acredito em religião, não acredito em reencarnação, mas ao olhar para o céu acho romântica a ideia de quando alguém morre, uma centelha se acende no céu, intensificando o brilho de uma qualquer estrela. E ao olhar para elas ali paradas no seu movimento regular, acredito que aqueles que já não estão comigo brilham lá em cima algures. Por vezes tenho quase a certeza que alguma estrela está a sorrir para mim. Que por detrás daquele brilho está um sorriso, ou um piscar de olhos que me faz companhia.

2007 é hoje. Um ano que vai ser mais difícil que os anteriores. Em que vamos andar atarefados a procurar chegar ao fim de semana sem sermos atropelados, onde a tecnologia vai invadir mais e mais o nosso espaço. Será o ano onde cada vez mais portugueses se sentirão ameaçados pela falta de tempo e de “tempo”. É fácil perceber que na vida actual a velocidade a que as coisas acontecem não permite “errar” ou “falhar” ou mesmo “passar” uma jogada. Vive-se na pressão de que tudo tem que funcionar bem. Temos que cavalgar a onda. Não facilitar, não descurar nunca a atenção, porque a vida pode passar ao lado. Pergunto? Para quê?

E assim começa mais um ano, campista!

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