Frio, muito frio!
O gelo que se abate pelo país não é mais do que da responsabilidade nossa. Sim, o Al Gore já falou tudo o que tinha para falar no seu filme sobre o estado do planeta, mas a verdade é que o filme acabou por valer por si e ninguém fez nada para modificar o estado das coisas.
Com o frio e o gelo que assola o país perguntaram-me um destes dias se efectivamente este estado das coisas é algo com que nos preocupemos ou se podemos ainda assim fugir às responsabilidades. Se olhássemos para o planeta terra como se fôssemos extra-terrestres o que veríamos?
Na minha opinião, modesta quanto baste, veríamos muitas espécies a tentar sobreviver a um predador-parasita que está a destruir tudo e todos, incluindo a própria espécie. O Homem é a maior praga do planeta e irá acabar por conduzir a sua espécie à extinção. Nessa extinção provavelmente as únicas formas de vida que sobreviverão serão organismos unicelulares, que estarão escondidos nas profundezas dos oceanos ou nas entranhas de grutas em condições drásticas, mas que mesmo assim conseguirão sobreviver ao lixo de silício que andamos a produzir.
E então daqui a uns milhões de anos talvez volte a haver vida complexa na terra, muito provavelmente diferente da actual, mas provavelmente igualmente auto-destruidora. A vida complexa sofre de um efeito auto-destruidor. É uma questão de entropia. Tudo tende para um estado caótico e a vida não passa de um sistema organizado instável, que gasta energia e recursos. Assim, para a eternidade ou conseguimos desligar-nos das leis da termodinâmica ou pura e simplesmente desapareceremos. É como tentar lutar contra a gravidade.
Assim em vez de nos lamentarmos do frio que se abate, o melhor é aceitá-lo, vestir mais uma camisola, calçar luvas ( e ainda me vão explicar porque se calçam as luvas ) e andar que nem chouriços nos autocarros apinhados das nossas vidas.
E assim começa mais uma semana, campista!