Nem sempre é fácil perceber o que nos rodeia, mas quando estamos a viajar pelo Alentejo a 160 Km/h a planície e as longas rectas permitem ter uma percepção da realidade diferente do normal. Há tempo para ver corujas moribundas, vacas pachorrentas e porcos pretos que dão uns presuntos bestiais. E tudo parece correr devagar sem haver propriamente um destino ou um objectivo.
Tudo é de certa forma intemporal e está ali a menos de 60 minutos de distância. Curiosamente o Alentejo que está aqui tão perto é tão esquecido e parece ser um grande labirinto para aqueles que apenas querem chegar a uma terra de mouros, lá para o sul, onde dizem que as águas são quentes e os ingleses simpáticos… pelo menos quando estão com o teor alcoólico acima do permitido por lei.
Mas a 160Km/h não se consegue ouvir o que vai lá fora, o ar condicionado do carro vai no máximo que o gelo é agreste e o verde(Sim, o VERDE) invade-nos a visão pela janela. Por isso ficamos a pensar porque se caracteriza esta terra de árida e de ocre? Onde? apenas o verde. Até enjoa.
Por outro lado o Alentejo deixa de ser interessante a partir do momento em que nos aproximamos de Lisboa. A confusão aumenta, os gajos que passam por nós levam a música nas alturas, começa-se ao longe a ver o castelo de Palmela e e pouco mais à frente os 160Km/h passam a 10cm/h… 12 Km de bicha para a ponte 25 de Abril… F***-se o Alentejo que não tem culpa nenhuma e que afinal até não é ocre ou castanho ou amarelo mas Verde.
E assim começa mais uma semana, campista!